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Uma vez que se atravessa esse sofrimento, uma vez que se recupera da maior dor que se pode passar na vida, o que se faz com isso? Só́ alguém muito idiota continua vivendo a vida do mesmo jeito, pensando igual, tomando as mesmas decisões.

Rodrigo, pai

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Às vezes quando falo da Jéssica a minha mãe chora. Eu fico com medo que falar mais a faça chorar mais. Mas a minha mãe sorri e diz que eu não tenho que ter medo das lágrimas dela. Eu posso falar da Jéssica, e eu quero.

Rita, Irmã da Jéssica

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Uma reacção que me lembro com clareza foi a minha incapacidade de me concentrar em qualquer coisa que fosse. Durante esse tempo, suponho que o meu sentimento principal foi de desapego. Nada que estivesse vivo e fosse parte deste mundo era real.  A única realidade que eu sabia era que a Clara estava morta.  Isso era a verdade, tudo o resto era ilusório. 

mãe da Clara

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Clarice, mãe da Maria Clara

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O João é eterno, continua a viver dentro de mim.

                       Palmira, mãe do João

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Quando o meu filho faleceu fiquei 5 dias sem trabalhar, no fim dos 5 dias tive de pôr baixa médica e, depois, como tinha férias a gozar, fiquei mais um mês. Mas é sempre muito pouco tempo porque é uma dor muito grande a perda de um filho. 

Alda, mãe do Pedro

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Durante a semana após a morte do Luís, lembro-me de uma estranha sensação de aquiescência para mim.

Se alguém me dissesse para sentar, eu sentava-me. 

Se me mandassem comer, eu comia. 

Para uma pessoa normalmente obstinada como sou, este meu comportamento era obviamente atípico. 

Apreciei ser dito o que fazer. Eu estava entorpecido demais para querer pensar por mim mesmo. 

Por outro lado, eu temia que o entorpecimento se fosse embora e desse lugar ao luto.

Pai do Luís

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As nossas entidades patronais, além de terem sido muito compreensivos em todos os momentos, permitiram-nos e deram-nos liberdade para voltarmos após 1 mês, o que nos permitiu, na medida do possível, fazer o luto e passar por todas as fases inerentes, reerguemo-nos, tentar encontrar uma nova forma de viver sem o nosso filho (criar novas rotinas, fazer atividades que com ele não dava para fazer, mudar de casa, cuidar da nossa saúde que até então estava esquecida, etc.), tirar férias para descansar de tantos meses de sofrimento acumulados, ganhar novas energias e assim tentar aos poucos regressar à nossa rotina profissional mais adaptados à realidade do acontecimento, e criar uma nova rotina pessoal/familiar que estava muito frágil. Pode ter sido por isto ou não, mas nós pais do Afonso, continuamos juntos até hoje, reconstruímos a nossa vida, ultrapassamos um processo muito difícil, e hoje o Afonso tem dois irmãos que nos ajudaram a sobreviver e a ser novamente felizes.

Cláudia e Pedro, pais do Afonso, do Francisco e da Joana

João, pai da Madalena

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Filipa, mãe do Vasco

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Vítor Guégués, empresário

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… a Nídia voou.. Havia tantos projetos e ficaram todos por aqui... Neste dia começou uma nova vida, a resiliência. Cada dia é um desafio, como vou conseguir hoje o meu dia sem a Nídia. Este luto tem algumas fases revolta, negação, saudades, e muita falta do seu contacto físico.

                                                                                     Carla, mãe da Nídia
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Depois da partida do meu filho o meu marido teve que regressar ao trabalho após 5 dias…
É difícil perceber que a família, que já passou por tanto (sob o ponto de vista familiar, psicológico, emocional, social e económico), que se remediou em tanto, tenha neste momento de encarar a realidade da responsabilidade laboral num tão curto espaço de tempo.
É difícil perceber que um pai ou uma mãe tenham que se ver obrigados a pedir um atestado médico (com as condições que isso implica), se sentirem necessidade de prolongar este tempo, necessário à dor.
Não somos máquinas, também somos feitos de sentimentos, que devem ser respeitados e vividos no seu tempo.


                                                                              Norma, mãe do Rodrigo
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Muito pior do que ficar acordada a noite toda, eram as manhãs.  Parecia haver diariamente um momento, logo depois de abrir os olhos, que parecia estar esquecida de que o Mateus estava morto. Então, como um maremoto, a lembrança vinha e envolvia-me como se me estivesse a afogar.  Eu tinha que lutar para sair da cama todos os dias.  Isso durou vários meses e provavelmente foi a minha batalha mais difícil. Se é preciso tanto para nos levantarmos, que energia sobra para o resto do dia? 


                                                                                              mãe do Mateus

… a dor é tão grande e forte que também aqui temos dois caminhos a escolher: a nossa destruição - desistir de viver e da vida ou o nosso crescimento espiritual e ficarmos mais fortes. Eu optei pelo segundo, viver com a ALEGRIA de saber que sou filha de Deus!

Alexandra, mãe da Leonor

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“A minha mãe foi a primeira [mulher] que conheci a carregar o peso da perda de um filho. O primeiro filho. O filho mais desejado de todos. Morreu, 48 horas depois de nascer. (...) Por toda a vida recorda o seu Rui Óscar, que não chegou verdadeiramente a conhecer. Não lhe viu um sorriso, não lhe chegou a sentir a gratidão no olhar por lhe ter dado vida, como todas as mães recebem. Por toda a vida sonhará com o momento do reencontro. Por toda a vida desejará que aquele desastre tenha sido apenas um pesadelo.”

Kátia, irmã do Rui Óscar

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 Aceitar que estou a arrebentar de saudade, tristeza, energia que não é minha, mas que reside em mim.
Aceitar de uma vez que estou mal e salvo-me!
Salvo-me porque sou a pessoa mais importante para mim.
Salvo-me porque quero mesmo viver de verdade!
Luto e deixo-me de merdas.
Luto, mas parada por uns tempos.
Descanso lutando um pouquinho de cada vez,
e renovo-me!
Aceitar que também preciso de colo, de carinho, de mimos, de atenção.  
Tenho sido sempre eu a dar atenção.
Tenho sido eu a preocupar-me.
Tenho sido eu a ouvir e a mimar.
Pensei que não precisava! Mas preciso.

                                                                                         Sara, mãe da Matilde

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